quarta-feira, 23 de março de 2011

Área Externa

A área externa do apartamento já foi muito utilizada pelos filhos dos moradores, quando crianças. Hoje o espaço é de pouco uso, sendo utilizado apenas para secar as roupas nos varais e para o cultivo de algumas espécies de vegetação.
A adaptação trará a essa área hoje inutilizada um espaço de grande valor para as atividades físicas e de reabilitação do portador com a criação de três espaços: espaço de caminhada, espaço de atividade e descanso e jardim sensorial.

Sala de Estar e Sala de Jantar


Atualmente, a sala de estar e de jantar são os pontos de encontro da família. Buscando preservar o convívio e a participação do portador nesses momentos, esses ambientes terão somente o seu lay out sofrendo pequena alteração apenas para garantir o espaço para a circulação e manobras necessárias para o seu uso.

Circulação

Nos corredores internos, recomendam-se luzes a 10 cm do piso. Os corredores e circulações devem mostrar um destino claro, conduzindo o paciente a andar com objetivo e não a vagar, ação muito comum em quem sofre desta doença. Outro ponto que merece atenção é passagem suficiente para circulação e manobras com cadeiras de rodas e o uso de cores claras para refletir a luz.


A circulação da área íntima do apartamento estará totalmente livre para o fácil acesso no caso de uso de andadores e de cadeira de rodas. Serão instalados balizadores a 10 cm do piso para auxiliar no período da noite e corrimãos para apoio do portador bem como para proteção das paredes que receberão papel de parede em tons de amarelo, que é a cor mais clara e auxiliará a deixar o ambiente mais iluminado.

Banheiro

O banheiro é o espaço que receberá maiores intervenções. Para garantir o raio mínimo para a rotação de 360° da cadeira de rodas, a acessibilidade ao espaço, com as áreas de transferência e de aproximação necessárias, será necessário deslocar a parede aproximadamente 60 cm.




Os móveis e louças existentes serão preservados com as adaptações necessárias, como por exemplo, o vaso sanitário que receberá um sócolo para garantir a altura máxima de 46 cm para a transferência direta da cadeira de rodas e a válvula de descarga deve ser instalada a 1,00 metro do piso.
O piso e revestimento das paredes serão trocados, aproveitando a reforma total do espaço. O piso deve ter superfície regular, firme e antiderrapante sob qualquer condição. Recomenda-se evitar a padronagem na superfície do piso que possa causar sensação de insegurança, como por exemplo, sensação de tridimensionalidade (ABNT – NBR9050).
As paredes das áreas molhadas como o boxe do chuveiro, vaso sanitário e lavatório receberão revestimento cerâmico na cor branca e pastilhas cerâmicas 2,3x 2,3 mix de pastilhas nos tons de azul, que será usada como cor de identificação do banheiro, trazendo ao paciente a sensação de quietude e confiança.
Serão instaladas as barras de apoio, conforme norma técnica de acessibilidade bem como o banco retrátil de apoio no boxe do chuveiro.

Quarto do Portador



Atualmente o quarto é de uso do portador e de sua esposa, mas, com o avanço da doença, este espaço poderá ser de uso exclusivo do portador, pois receberá todas as adaptações necessárias para atendê-lo.
Deve-se estar atento inicialmente para os espaços de circulação e de rotação para o uso de cadeira de rodas ou mesmo andador. O ideal é que haja espaço suficiente para a realização de uma rotação de 360° e para isso é necessária uma área com 1,50 metros de diâmetro. Neste caso , foi respeitada a distância mínima de circulação para a passagem de cadeirante, que é de 80 cm e a porta de entrada do quarto que foi ampliada para 90 cm. A área de giro da cadeira com o diâmetro mínimo também foi respeitada (fig.9).
A cama deve estar à mesma altura do acento da cadeira de rodas ou muito próxima, facilitando a transferência. A cama especificada é uma cama plataforma que apresenta a cabeceira reclinável, que pode ser funcional no dia a dia para atividades da rotina do portador de acordo com o avanço do seu quadro, como, por exemplo, a alimentação. A cabeceira é forrada em couro ecológico na cor branca e além do aspecto ergonômico, ela mostra também um design contemporâneo, que foge do quarto com características de hospital.
Levando em conta que este é o ambiente de maior permanência e de descanso do portador de D.A., buscou-se manter a identidade inicial do quarto, preservando o lay out, as cores básicas dos tecidos e móveis e também o piso de taco e alguns objetos. A preservação desses elementos busca auxiliar na preservação da memória e também trazer conforto e confiança para o paciente.
Nos painéis laterais à cabeceira serão fixados as mesas de cabeceira. Os criados mudos terão seus cantos arredondados para evitar acidentes e também foi prevista uma mesa auxiliar para alimentação. Um interruptor, ao lado da cama, do tipo three-way (interruptor paralelo) também foi previsto no painel para a maior comodidade ao acender e apagar a luz principal e secundárias do quarto.
O armário embutido existente será reformado e adaptado para uso do portador com portas de correr, cabideiros com basculantes e calceiros e prateleiras deslizantes.

O forro do quarto será rebaixado para adequar a iluminação. Serão instalados spots embutidos com lâmpadas tipo PAR direcionadas para a área do guarda-roupas e para o armário baixo, facilitando a visualização das roupas e objetos. Na parte superior da cabeceira serão instaladas arandelas para iluminação indireta e de vigilia durante a noite, quando necessário. 
A cor escolhida para o quarto será o verde, aproveitando as cortinas existentes no local e utilizando o efeito tranquilizante dos tons, transmitindo segurança e proteção.

terça-feira, 22 de março de 2011

Adaptação de Residência - Portador De Alzheimer

O meu caminho profissional cruzou com a questão da adaptação de ambientes não por acaso.
A necessidade de adaptar para quem não tem mais a possibilidade de se adaptar está muito próxima de mim. O meu pai é portador de D.A. e a adaptação da nossa residência para essa nova condição foi tema do meu projeto final de pós graduação.
Para poder ilustrar as necessidades, soluções e possibilidades que podem tornar o ambiente residencial mais funcional, confortável e seguro, vou apresentar um "antes e depois" que tornam a vida do paciente, cuidador e família menos estressante e mais agradável.

Doença de Alzheimer

Juntamente com a elevação da expectativa de vida surgiram doenças consideradas da terceira idade. A demência é bastante comum entre os idosos e o mais comum é a Doença de Alzheimer.
Na adaptação de ambientes para portadores de D.A. devem ser identificados os fatores do ambiente físico e adaptá-los ao uso e limitações do portador da D.A nos diversos estágios e dificuldades apresentados no decorrer da doença.  O ambiente deve oferecer ao paciente todas as informações necessárias através de sinais ou outras sugestões, através do lay out e dos materiais empregados.
No caso do portador de D.A. a sua condição física é acometida pela doença no decorrer da evolução. No inicio o paciente é praticamente independente, mas com o decorrer do progresso da doença, ele tende a ficar dependente, muitas vezes tendo que utilizar andadores ou mesmo cadeira de rodas.
A D.A. provoca a degeneração gradual dos neurônios, causando o comprometimento das funções motoras e musculares. Com isso, a composição dos ambientes precisa de adaptação, pois os pacientes costumam ter complicações com a mobilidade, memória e atividades motoras e essas mudanças afetam a rotina e as simples tarefas cotidianas, podendo gerar e aumentar o estresse do paciente e da própria família. O ambiente se não for planejado para a vivência do portador de D.A. pode também estimular a agressividade, a agitação, o isolamento social e distorções visuais comuns nesses pacientes.
Devemos levar em conta que uma pessoa com demência não é mais capaz de adaptar-se e por isso o ambiente deve ser adaptado a ela e as suas necessidades.
A redefinição do ambiente e a utilização de diferentes materiais podem aumentar a qualidade de vida do portador e de toda a família. O uso dos espaços deve contemplar a todos os usuários, sejam doentes ou sadios, levando em conta sempre a funcionalidade, o conforto e a segurança, evitando possíveis acidentes. Deve-se levar em consideração para esta readaptação do ambiente aos usuários: a orientação, a capacidade funcional, o bem-estar emocional, a segurança e a estimulação sensorial.

Casa Segura para Idosos

A casa deve ser um lugar seguro, funcional e confortável. A adaptação dos ambientes deve ser sempre levada em conta quando tratarmos de moradores com problemas de equilíbrio e flexibilidade para que a rotina diária possa ser facilitada e a pessoa tenha independência na sua vida.
A redução no risco de acidentes domésticos é claramente notada quando existe a prevenção. E nesse caso, a prevenção é a ADAPTAÇÃO.

Residência Adaptada para Idosos - Acervo de Interiores. Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - página A26, Domingo 15,11,2009


segunda-feira, 21 de março de 2011

Adaptação e Acessibilidade de Ambientes

Arquitetura e projetos de interiores especializados em edificações e adaptações de espaços voltados para atender limitações de pessoas da terceira idade, deficientes físicos ou com mobilidade reduzida (temporária ou permanente).
É oportuno observar que as residências dessas pessoas requerem uma infra-estrutura diferenciada do ponto de vista da adequação do espaço e iluminação para que todas as atividades sejam realizadas com conforto, segurança e satisfação.
A reestruturação das residências reduz os esforços desnecessários, bem como acidentes domésticos, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida ao morador/usuário.